MENDIGOS
Quantas vezes trilhamos, desgraçados,
Da vida humana os ásperos caminhos:
Vós, em busca de esmolas, fatigados.
Eu, fatigado, em busca de carinhos.
Aos que tiverem sedas e brocados
Invejais a riqueza, ó pobrezinhos.
E eu mais invejo ainda os namorados,
Aves que dormem no frouxel dos ninhos.
Como de porta em porta, sem abrigo
Noite e dia seguis - aflito sigo
De coração em coração, assim...
E assim , lastimo as esperanças mortas,
Pois, como para vós fecham-se as portas,
Os corações se fecham para mim.